Os wearables sem tela, a nova tendência do mercado

- Pulseiras sem tela, como Whoop, Garmin e Polar, ganham espaço como alternativa aos smartwatches, por serem mais leves e terem bateria mais duradoura para monitorar sono, treino e saúde cardíaca
- No Brasil, Garmin e Polar já vendem seus modelos com preços que variam de R$ 1.300 a R$ 2.250. A disputa agora é pelos aplicativos que interpretam os dados, com versões gratuitas para concorrer com a assinatura da Whoop
Wearables sem tela são pulseiras que monitoram sono, treino, recuperação e saúde cardíaca sem exibir nada no pulso: os dados vão direto para um aplicativo no celular. Mais leves e com bateria que pode durar até 10 dias, elas ganharam concorrentes de peso entre 2025 e 2026 e viraram a nova aposta do mercado.
Durante quase uma década, a Whoop foi a principal pulseira sem tela do mercado. O produto foi criado em 2015 e inicialmente era voltado exclusivamente para atletas profissionais. Mas, desde o ano passado, concorrentes como Garmin, Polar e Fitbit Air (do Google) lançaram suas próprias pulseiras e miram em um público mais amplo. A tendência acompanha uma queda na procura pelos smartwatches e um aumento na busca por monitores de saúde mais leves e com maior durabilidade de bateria.


Por que os smartwatches estão perdendo espaço?
Wearables com telas realmente podem ser mais interativos, mas eles pesam mais, são maiores e consomem mais bateria. Para alguns consumidores, tornaram-se mais um aparelho eletrônico para administrar em um mundo hiperconectado. Uma projeção divulgada em julho passado pela empresa de pesquisa de mercado britânica FDM CCS Insight mostrou que o mercado global de wearables deve encolher 3% até o fim de 2026, puxado pela queda de 4% na procura dos smartwatches. Em 2025, os relógios correspondiam a 90% do mercado de wearables, segundo a mesma pesquisa. A entrada de novas marcas no mundo das pulseiras que monitoram treino e sono é uma resposta ao que parece ser uma certa exaustão dos consumidores com as telas.
O valor do produto agora é deslocado da informação em si para a interpretação dos dados, feita a partir dos aplicativos de cada marca. No caso da Whoop, pioneira no mercado, os usuários precisam pagar uma assinatura para ter acesso ao aplicativo. Mas as outras marcas estão desenvolvendo versões gratuitas de seus programas. No Brasil, a Garmin e a Polar já lançaram seus produtos no mercado local, com preços que variam entre R$ 1.300 e R$ 2.250. Já a Whoop ainda não vende diretamente no país, mas lá fora o produto costuma variar entre US$ 199 e US$ 359 por ano, dependendo do modelo. E esses valores já incluem a assinatura anual do aplicativo.


O que muda para quem usa uma pulseira sem tela?
A expectativa é que essa mudança torne a experiência com as pulseiras mais orgânica. O usuário precisa carregar menos vezes o produto e ele é mais leve, o que faz com que se misture no dia a dia de forma mais natural. A ideia é que o usuário esqueça que está com um medidor em seu corpo e que acesse informações que realmente importam sobre padrões e hábitos de forma mais pontual.