Novas tendências: academia como ecossistema que une treino e bem-estar

- Impulsionadas pelo mercado de wellness, academias têm se transformado em ecossistemas que unem treino, nutrição e comunidade
- Modelo ainda é incipiente no Brasil, mas já faz parte de marcas como Bio Ritmo e Simple Gym
O setor do bem-estar tem avançado cada vez mais para outras áreas. Cuidados pessoais, beleza, nutrição e até o turismo já foram impactados por esse mercado que, em 2025, movimentou US$2 trilhões, segundo um relatório da McKinsey. E, claro, que as academias não iam ficar de fora: elas têm se tornado espaços que vão muito além da atividade física em si. Alguns analistas falam em terceiro espaço, uma espécie de híbrido entre lazer e treino. Outros descrevem esse novo modelo como um ecossistema. Na prática, esse ecossistema reúne treino físico, nutrição, comunidade e bem-estar em um único espaço. Ou seja, a academia deixa de vender apenas atividade física e passa a oferecer redes de convívio, terapias complementares e acompanhamento personalizado.



O que é o modelo de “terceiro espaço” na academia?
A ideia de terceiro espaço surge a partir do reconhecimento de que o exercício físico tem assumido uma função social. Isto é, muitas pessoas estão começando a criar comunidades em torno de atividades físicas. A corrida é um dos casos mais ilustrativos desse movimento. De acordo com a 4ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, divulgada ano passado, centros de atividade física se tornaram “espaços de convivência, pertencimento e bem-estar, atuando como locais de encontro, apoio e construção de redes”.
Esse é o conceito por trás, por exemplo, dos wellness clubs, uma moda que ainda é incipiente no Brasil, mas já tem muitos adeptos lá fora. São centros de bem-estar, uma mistura de spa, academia e centro de meditação e ioga, que une atividades físicas e de mindfulness com networking.



Ecossistema nas academias brasileiras
A ideia de terceiro espaço não está muito distante da de ecossistema. Na verdade, uma engloba a outra. Pensando na academia como esse ponto de encontro, muitas redes têm procurado ampliar seu leque de serviços. Uma das pioneiras no Brasil foi a Bio Ritmo, a academia de luxo do grupo Smart Fit. O plano mais completo da rede inclui personal trainer três vezes por semana, avaliação trimensal com nutricionista e até um teste de DNA. Em entrevista ao portal Terra, Vinícius Santana, gerente do grupo Smart Fit no Brasil, explicou que o objetivo é oferecer aos alunos “uma rotina de saúde mais sustentável”: “cuidamos da pessoa de forma integral, unindo treino, comunidade e bem-estar mental”, disse ele.
O próprio grupo Smart Fit também tem apostado nessa lógica de forma mais abrangente, além de seu núcleo mais premium. Hoje, ele detém, além das academias espalhadas pelo Brasil, estúdios especializados voltados para hot ioga, pilates, treinos funcionais e aulas de musculação coletivas. Os adeptos ao Total Pass têm acesso a todos esses serviços e não à toa é a categoria com melhor desempenho no grupo.
Outra academia que tem caminhado no mesmo modelo no Rio de Janeiro é a Simple Gym. Em maio, o grupo lançou o The Simple Run Club que conta com um espaço físico na Lagoa Rodrigo de Freitas, com sauna, banheira de gelo e área de convivência para os membros. Cada aluno recebe planilhas personalizadas e pode participar de treinos presenciais. As academias do grupo contam também com uma estética mais clean diferente do que encontramos em academias mais tradicionais.
Ainda que este modelo seja incipiente no Brasil, é inegável que a atividade física tem ocupado desde a pandemia um espaço cada vez maior na vida das pessoas e se misturado ao lazer. A transformação das academias parece um próximo passo natural e cada vez mais perto de ser replicado por aí.
Referências
Panorama Setorial Fitness Brasil. 2025. https://www.fitnessbrasil.com.br/panorama-setorial-2025-4a-edicao/
McKinsey. Future of Wellness. 2025. https://www.mckinsey.com/industries/consumer-packaged-goods/our-insights/future-of-wellness-trends