Consumo de bebidas energéticas cresce no Brasil, mas é preciso ter cuidado com quantidade de cafeína ingerida

Consumo de bebidas energéticas cresce no Brasil, mas é preciso ter cuidado com quantidade de cafeína ingerida
  • O consumo de bebidas energéticas no Brasil quase triplicou em uma década: de 63 milhões de litros em 2010 para 185 milhões em 2021. Mercado deve movimentar US$ 4,8 bilhões até 2034
  • Expansão está associada à popularização do produto entre os jovens e ao uso, que foi para além das festas, chegando à rotina de trabalho, estudos e treinos; no entanto, estudos alertam para consumo exagerado
Fotos: Reprodução/Baer Mate/Paz Energy

Uma pesquisa da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir) estimou que a quantidade de energético no país quase triplicou em uma década. Segundo os números, 63 milhões de litros de bebidas energéticas foram consumidos no Brasil em 2010. Em 2021, essa quantidade disparou para 185 milhões. Um relatório da Imarc, empresa global de pesquisa de mercado e tendências, divulgado este ano, confirmou que essa tendência segue forte. Em 2025, o mercado de bebidas energéticas movimentou US$ 3,3 bilhões no Brasil e a expectativa é que chegue a gerar US$ 4,8 bilhões até 2034.

Fotos: Reprodução/Monster Energy Drink/Redbull

Essa expansão é associada a três fatores: a popularização do produto entre os mais jovens, o aumento de ofertas (novos sabores, versões sem açúcar e embalagens maiores) e a associação da bebida além do cenário das festas – hoje as bebidas energéticas são usadas por aqueles que querem foco no seu dia a dia ou buscam melhorar sua performance física. A questão, alertam os médicos, é que muitas vezes as pessoas consomem essas bebidas sem prestarem atenção na quantidade de cafeína que estão ingerindo.

Aumento de pressão e arritmia: os efeitos do consumo exagerado

A cafeína ainda é o estimulante mais presente nas bebidas energéticas, mas a verdade é que elas costumam conter também outras substâncias como a taurina e o pó de guaraná. De acordo com um artigo publicado ano passado na Current Cardiology Report, a mistura pode aumentar a pressão, acelerar batimentos cardíacos e gerar palpitações nas pessoas mais sensíveis à cafeína. O risco, ainda segundo o documento, aumenta quando a bebida é associada ao álcool ou ingerida em jejum, ou ainda em grandes quantidades em um curto espaço de tempo.

Uma pesquisa feita em 2024 pela Universidade Paranaense (Unipar) com estudantes de Medicina da cidade de Maringá, por exemplo, revelou que quase 75% dos entrevistados usavam energéticos e, entre eles, 64,5% já tinham passado por algum dos efeitos adversos de seu consumo exagerado. A maioria dos alunos disse apelar para a bebida para se manter mais focado e melhorar seu desempenho na faculdade.

Um levantamento realizado pela agência reguladora americana FDA mostrou que a quantidade de cafeína em energéticos pode variar bastante: entre 54 mg e 328 mg por porção. Um valor bem diferente quando comparamos a uma xícara de café, que contém entre entre 41 mg e 246 mg de cafeína, e uma xícara de chá preto, onde encontramos 71 mg do estimulante. Ou seja, é importante ler os rótulos antes de consumir bebidas energéticas para não ultrapassar o limite de ingestão recomendado.

Recomendação é de até 4 xícaras de café coado por dia

A recomendação do próprio FDA para adultos saudáveis é a ingestão de até 400 mg de cafeína por dia, cerca de quatro xícaras de café coado a depender do preparo. E, apesar de o consumo moderado da substância estar associado a alguns benefícios para a saúde, o excesso causa pressão no sistema cardiovascular e muitas vezes seus sintomas iniciais são lidos como estresse ou ansiedade. Por isso, é sempre bom ter atenção ao que consumimos.

Referências

Bressan, T., Ferreira, K. M., Silva, N. C. F. et al. “Aspectos relacionados ao perfil de consumo de bebidas energéticas por acadêmicos de medicina”. Arquivos De Ciências Da Saúde Da UNIPAR, 28(2) (2024). https://doi.org/10.25110/arqsaude.v28i2.2024-11076

Mandato, J., Kola, R., Tyson, T. et al. “The Effects of Energy Drinks on the Cardiovascular System: A Systematic Review”. Curr Cardiol Rep, 27(1) (2025). 10.1007/s11886-025-02293-w

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