Sleepmaxxing: a nova trend da Geração Z

Sleepmaxxing: a nova trend da Geração Z
  • Sleepmaxxing é a versão do "maxxing" aplicada ao sono: uma corrida para otimizar cada detalhe da noite, de gadgets caríssimos a truques virais como fita na boca e tapa-olho 3D
  • Especialistas alertam que o excesso de regras pode causar o efeito oposto: a orthosomnia, uma ansiedade em torno do sono perfeito que piora justamente o descanso

O maxxing se tornou uma tendência popularizada pela Geração Z e que pode ser aplica a praticamente tudo: fibra, proteína, aparência. A ideia é otimizar ao máximo um ponto específico ligado normalmente a saúde, estética ou produtividade. E, claro, o sono não ia ficar de fora dessa. Foi assim que surgiu o conceito de sleepmaxxing e, com ele, inúmeras dicas e rotinas noturnas detalhadíssimas para tornar o sono o mais reparativo possível. A questão que muitos especialistas apontam é que o sleepmaxxing pode ter o efeito reverso: com tantos passos a seguir, pode acabar gerando ainda mais ansiedade.

Em uma reportagem publicada em outubro passado, a Atlantic contou como bilionários do Vale do Silício tinham entrado nessa onda e estavam investindo em protetores de cama supertecnológicos (e caríssimos, claro) que funcionam também como monitores de frequência cardíaca e temperatura corporal. A partir das medições, o protetor esfriava ou esquentava para manter a temperatura ideal para seu usuário ter o mais reparativo dos sonos. Ele ainda vibra, pode guiar meditações e é reclinável. Um dia, no entanto, o aplicativo saiu do ar, superaquecendo alguns colchões e esfriando excessivamente outros ou ainda deixando seus usuários por um tempo em posição vertical. Dependes da tecnologia, muitos passaram a noite insone ou foram dormir no sofá.

O caso específico dos protetores dos bilionários mostra como um certo grupo tem se tornado cada vez mais dependente da tecnologia para realizar atividades tão simples quanto dormir. Mas a trend do sleepmaxxing não está restrita ao Vale do Silício e inclui recomendações mais simples e acessíveis, ainda que muitas delas não tenham sua eficácia comprovada cientificamente.

Além do básico (e já há muito conhecido e indicado por médicos e cientistas) dormir em lugar fresco, escuro e silencioso, limitar exposição a telas antes de se deitar, evitar álcool e cafeína e ter um horário padrão para dormir, os truques das redes sociais incluem:

  • Fita adesiva na boca
  • Tapa-olho 3D
  • Exposição à luz vermelha
  • Suplementos

“[Essas técnicas] são ridículas, potencialmente nocivas e carecem de evidência. Um bom exemplo de como as redes sociais podem normalizar o absurdo”, disse o especialista em desinformação da Universidade de Alberta, Canadá, Timothy Caulfield à agência de notícias AFP.

O sleepmaxxing parece seguir um padrão que tem se tornado preponderante no mundo do wellness, principalmente nos conteúdos divulgados em redes sociais sobre bem-estar: a transformação de todos aspectos da vida em produtividade e performance. A questão vai além de um debate crítico e já tem efeitos reais: a orthosomnia. Isto é, uma obsessão pela busca do sono perfeito que acaba tendo o efeito reverso, gerando ansiedade e (ironicamente) prejudicando o próprio descanso.

Um estudo da Universidade de George Washington, entretanto, mostrou que a maioria das informações divulgadas na trend do sleepmaxxing não tem respaldo científico. Ao contrário, quanto mais rígidas se tornam nossas rotinas, mais propensos ao estresse estamos.

Referências

Fangmeyer, S.K., Badger, C. D., Thakkar, P.G. “Nocturnal mouth-taping and social media: A scoping review of the evidence”. American Journal of Otolaryngology, 46, 1 (2025). https://doi.org/10.1016/j.amjoto.2024.104545

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