Quatro hábitos para desacelerar sem se desconectar completamente

- O brasileiro passa em média 116 horas por semana conectado à internet, segundo levantamento da NordVPN. Ritmo que, se mantido ao longo da vida, equivaleria a 52 anos de vida conectado
- Pequenas mudanças de hábito, como afastar o celular à noite, criar zonas livres de tela e reservar 20 minutos diários em contato com a natureza, ajudam a reduzir o uso excessivo de telas sem exigir desconexão total
Um levantamento recente da empresa de cibersegurança NordVPN mostrou que o brasileiro gasta em média 116 horas por semana conectado à internet. Se esse ritmo se mantém ao longo do tempo, a pessoa pode chegar a gastar o equivalente a 52 anos da sua vida conectada. Ao mesmo tempo, existe um aumento exponencial da ansiedade no país: mais de 9% da população diz sofrer com o problema, segundo a OMS. Muitos pesquisadores já alertaram para os efeitos do uso excessivo de telas em nossa vida: perda de foco, queda na qualidade das interações sociais e até impactos na vista são alguns deles. Para te ajudar a se desligar do celular sem deixar que isso afete seus compromissos, reunimos algumas dicas.

Celular à noite
Rolar o feed automaticamente, checar e-mails e ver vídeos curtos no celular adiam a chegada do sono. No entanto, é muito comum que muitos de nós façam precisamente isso diariamente deitados em nossas camas. Além do próprio conteúdo, a luz do celular é fonte de estímulos e altera a produção de melatonina, o hormônio do sono, garantem médicos. Para evitar cair na tentação de pegar o celular antes de dormir ou, pior, no meio da madrugada, o ideal é parar de mexer no aparelho uma hora antes de se deitar, deixá-lo fora do alcance da mão e desligar todas as notificações durante o período da noite.

Zonas livres de tela
Segundo a professora de psicologia de Yale Laurie Santos, a simples presença do celular em um ambiente afeta a interação social a ponto de diminuir em 30% a troca de sorrisos entre indivíduos em espaços comuns. Por isso, é muito importante retirar o telefone do seu alcance durante conversas e refeições. Uma ideia é criar ambientes na casa em que celulares e computadores sejam banidos como, por exemplo, a mesa de jantar e o próprio quarto.

Grayscale e outras ferramentas do próprio celular
A verdade é que o nosso celular tem muitas ferramentas úteis para frear o seu consumo exacerbado, mas muitas vezes passamos batido por elas. Uma das táticas mais eficazes é adotar a grayscale, quando a tela aparece só em preto e branco. Ao perder as cores, o celular fica significativamente menos atrativo, principalmente aplicativos de fotos e vídeos, como as redes sociais. Além disso, você pode limitar as notificações do seu celular a horários específicos, por exemplo, o comercial. Já as notificações de redes sociais, é melhor mantê-las sempre desligadas. Curtidas e interações nas redes geram uma sensação de recompensa que pode acabar viciando nosso cérebro. Quando você vê está compulsivamente checando seu telefone para ver se chegou mais alguma atualização.

Contato com a natureza
De acordo com um estudo publicado na Frontiers in Psychology, apenas 20 minutos de contato com a natureza por dia pode diminuir significativamente hormônios do estresse em nosso corpo. Isso inclui um passeio em algum parque, na orla ou até o simples ato de observar o mar, as montanhas ou algum espaço verde de sua cidade. Segundo os pesquisadores, o importante é que a atividade não inclua exercício físico, telefone ou mesmo leitura. O exercício ajuda a pessoa a se sentir mais presente no seu dia a dia e tem efeitos para além daqueles minutinhos. Vale testar se ele não faz com que você interrompa o gesto automático de pegar o celular e arrastar o feed das suas redes.
Referências
Hunter, M.R., Gillespie, Brenda, e Chen, Sophie Y. “Urban Nature Experiences Reduce Stress in the Context of Daily Life Based on Salivary Biomarkers”. Frontiers in Psychology, 10 (2019). https://doi.org/10.3389/fpsyg.2019.00722